Reforma Tributária: o que empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real precisam revisar antes de 2027

Em janeiro de 2027, a CBS substitui o PIS e a Cofins, e a Reforma Tributária passa a pesar no caixa. Para empresas de médio e grande porte, o impacto vai muito além da troca de um tributo por outro: afeta preços, margens, contratos com grandes clientes, sistemas e capital de giro. A decisão sobre o que fazer precisa estar tomada antes da virada do ano.
O calendário que importa para a sua empresa
- 2027: a CBS entra em vigor de forma plena, e o PIS e a Cofins são extintos. O IPI é zerado para a maioria dos produtos, e começa o Imposto Seletivo.
- 2029 a 2032: o ICMS e o ISS diminuem gradualmente, enquanto o IBS aumenta. Os benefícios fiscais de ICMS também são reduzidos nesse período.
- 2033: o novo sistema passa a funcionar por completo.
Lucro Presumido: a mudança é maior do que parece
Hoje, empresas do Lucro Presumido recolhem PIS e Cofins no regime cumulativo, com alíquota menor e sem créditos. A CBS segue a lógica não cumulativa para todos. Na prática, a carga passa a depender muito mais da cadeia de fornecedores e da estrutura de custos.
Empresas de serviços com folha de pagamento alta e poucas compras tendem a sentir mais. Para elas, simular o novo cenário não é opcional: o resultado pode mudar a formação de preço e até a escolha do regime de IRPJ e CSLL.
Lucro Real: crédito amplo, mas com novas regras
No Lucro Real, a empresa já conhece a lógica de créditos. A diferença é que a CBS amplia o direito ao crédito e o vincula ao pagamento efetivo do tributo na etapa anterior. Isso exige controle mais rigoroso sobre fornecedores, documentos fiscais e conciliação.
7 pontos para revisar agora
- Simulação de carga por linha de negócio. Compare PIS e Cofins de hoje com a CBS de 2027, separando produtos, serviços e filiais. O efeito raramente é igual para toda a operação.
- Política de preços. Com o imposto calculado “por fora”, tabelas de preço, descontos e comissões precisam ser revistos antes da virada.
- Cadeia de fornecedores. Fornecedores optantes pelo Simples Nacional podem transferir menos crédito. Vale mapear os principais e rever condições comerciais.
- Contratos com grandes clientes. Contratos de longo prazo e de fornecimento recorrente precisam de cláusulas de reajuste e reequilíbrio tributário.
- ERP e documentos fiscais. Cadastro de produtos e serviços, regras de tributação e emissão de notas precisam estar parametrizados para os novos campos. Em empresas com vários CNPJs, esse projeto leva tempo.
- Capital de giro e split payment. Com o recolhimento no momento do pagamento, o imposto deixa de ficar no caixa até o vencimento da guia. Empresas que usam esse prazo como fonte de capital de giro precisam se planejar.
- Incentivos fiscais de ICMS. Indústrias e distribuidoras que dependem de benefícios estaduais devem avaliar o efeito da redução gradual desses incentivos sobre a competitividade e a localização das operações.
Uma decisão de negócio, não só tributária
A Reforma envolve finanças, comercial, compras e tecnologia. Por isso, o primeiro passo é um diagnóstico que mostre os pontos de maior impacto e a ordem de prioridade, para que a diretoria decida com números na mesa.
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